Segundo um protocolo da Unidade para Doença de Chagas, pacientes ditos como assintomáticos com sorologia de Chagas positiva ( Elisa) devem fazer exame de imunofluorescência direta ou hemoaglutinação indireta para confirmação diagnóstica. No entanto, dados da literatura nos mostram que somente a sorologia para Chagas positiva já nos faria pensar em provável tratamento. Frente ao exposto, como devemos proceder? Além do mais, a literatura é controversa quanto ao tratamento, alguns consensos sugerem tratamento apenas na fase aguda outros na fase crônica com problemas cardíacos e ou gastrintestinais leves, já que na fase avançada não trariam benefício. Desta maneira, como devemos proceder? Devemos tratar ou não um paciente assintomático com sorologia para Chagas positiva? Há necessidade de encaminhamento ao especialista?
Segundo um protocolo da Unidade para Doença de Chagas, pacientes ditos como assintomáticos com sorologia de Chagas positiva ( Elisa) devem fazer exame de imunofluorescência direta ou hemoaglutinação indireta para confirmação diagnóstica. No entanto, dados da literatura nos mostram que somente a sorologia para Chagas positiva já nos faria pensar em provável tratamento. Frente ao exposto, como devemos proceder? Além do mais, a literatura é controversa quanto ao tratamento, alguns consensos sugerem tratamento apenas na fase aguda outros na fase crônica com problemas cardíacos e ou gastrintestinais leves, já que na fase avançada não trariam benefício.  Desta maneira, como devemos proceder? Devemos tratar ou não um paciente assintomático com sorologia para Chagas positiva? Há necessidade de encaminhamento ao especialista?

Categoria profissional solicitante: Médico da Saúde da família

Resposta:

A Doença de Chagas é uma doença parasitária com curso bifásico (fase aguda e fase crônica), com várias formas de manifestação. Quanto ao Diagnóstico Laboratorial: 1- FASE AGUDA : determinado pela presença de parasitos circulantes em exames parasitológicos diretos do sangue periférico (exame a fresco, esfregaço, gota espessa) 2- FASE CRÔNICA : indivíduos que apresentam anticorpos IgG anti- T.cruzi detectados por dois testes sorológicos de princípios diferentes, os métodos recomendados são Imunofluorescência Indireta (IFI), Hemoaglutinação (HE) e o Elisa – A confirmação do caso ocorre quando pelo menos 2 testes distintos são reagentes, sendo o Elisa, preferencialmente, um deste. Quanto ao Tratamento: 1-O tratamento deve ser instituído com urgência em todos os casos de: chagas congênito, chagas agudo adquirido por qualquer forma de transmissão, reagudização de casos crônicos (ou grande possibilidade de que isto ocorra (imunossupressão para transplante, AIDS, etc.). Também existe consenso de que devam ser tratados (embora sem urgência) pacientes com 18 anos ou menos na forma indeterminada (ou seja, sorologia + para IgG assintomáticos) e aqueles em forma indeterminada que tenham adquirido a doença há pouco tempo. 2- Muitos especialistas já recomendam o tratamento para todos os paciente na Forma Indeterminada -crônicos assintomáticos, podendo ocorrer uma melhor evolução clínica nesses casos. Mesmo sabendo que não há garantia de cura, a maioria dos pacientes optam pelo tratamento. 3- Nos casos crônicos com formas clínicas instaladas, ainda não há consenso; mas o tratamento poderá ser instituído, a critério médico e após conversar com o paciente. Encaminhamentos: – Cardiologista- encaminhar os casos com manifestações cardíacas; – Gastroenterologista – nas alterações ao longo do trato digestivo; – Cardiologista e Gastroenterologistas – nas formas associadas (cardiodigestiva), o paciente apresenta as duas formas da doença; – Pediatria – nas formas congênitas (crianças nascidas de mães com exame positivo para T.cruzi.

 

Referências:

1-Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. Doença de Chagas (Capítulo 8) 2017. Disponível em: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/outubro/06/Volume-Unico-2017.pdf

2-Dias, JCP et al. II  Consenso Brasileiro em  Doença de Chagas. Epidemiol. Serv. Saúde, 25 (num.esp.):7-86, Brasília, 2016. Disponível em: http://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-por-vetores-e-zoonoses/documentos/chagas/2015_consenso_chagas.pdf