Segundo algumas diretrizes, em pacientes com osteoporose pode-se manter cálcio+ vit. D e associar alendronato, por 5 anos, podendo se estender por mais 5 anos. Entretanto, alguns estudos, recomendam o alendronato apenas. Gostaria de saber como proceder. Se o paciente já estiver usando cálcio devo manter e associar alendronato?
Segundo algumas diretrizes, em pacientes com osteoporose pode-se manter cálcio+ vit. D e associar alendronato, por 5 anos, podendo se estender por mais 5 anos. Entretanto, alguns estudos, recomendam o alendronato apenas. Gostaria de saber como proceder. Se o paciente já estiver usando cálcio devo manter e associar alendronato?

Profissional solicitante:

Medico estratégia saúde da família

Resposta:

A osteoporose é doença caracterizada pela fragilidade óssea e tem como desfecho clínico mais importante a ocorrência de fraturas por baixo impacto, que ocorrem mais frequentemente nas vértebras, no rádio distal e no fêmur proximal. A osteoporose não apresenta manifestações clínicas até que ocorra a primeira fratura. Os fatores de risco mais importantes associados são idade, sexo feminino, etnia branca ou oriental, história prévia pessoal e familiar de fratura, baixa densidade mineral óssea do colo do fêmur, baixo índice de massa corporal, uso de glicocorticoide oral, tabagismo, ingestão abusiva de bebidas alcoólicas, inatividade física e baixa ingestão dietética de cálcio. Em mulheres com mais de 50 anos, é recomendado e seguro o consumo de até 1200 mg de cálcio ao dia, preferencialmente por meio da dieta. Quando há impossibilidade de fazê-lo por meio de fontes nutricionais, é recomendável a administração de suplementos de cálcio. Entretanto, apesar de o uso complementar do cálcio e vitamina D ser fundamental para a mineralização óssea adequada, não se recomenda o tratamento da osteoporose exclusivamente com cálcio associado ou não com a vitamina D. Em pacientes com osteoporose, recomenda-se avaliar as concentrações plasmáticas de 25(OH)D antes de se iniciar o tratamento. Em pacientes deficientes de vitamina D, a reposição deve ser iniciada com 50.000 UI por semana durante 8 semanas e, então, reavaliar. Como dose de manutenção, recomendam-se doses diárias de 1.000-2.000 UI e valores séricos acima de 30 ng/mL para a prevenção do hiperparatireoidismo secundário, melhoria da massa óssea, redução do risco de quedas. Tratamentos com altas doses de vitamina D não estão indicados. Pacientes com história de fratura de fragilidade prévia devem ser considerados para tratamento farmacológico com bifosfonatos sem a necessidade de uma avaliação adicional com a medida da densidade mineral óssea, embora essa possa ser apropriada, particularmente em mulheres na pós-menopausa mais jovens, e com finalidade de monitoramento do tratamento. Pacientes com T-score igual ou menor do que -2,5 DP na coluna lombar, colo femoral, fêmur total ou rádio 33% devem ser considerados para terapia farmacológica com bifosfonatos. Os pacientes em uso de bifosfonatos devem estar plenos de cálcio e vitamina D. A duração ideal do tratamento com bifosfonatos em pacientes com osteoporose é desconhecida. Estudos sugerem que a terapia com alendronato para além de 5 anos não diminui significativamente o risco de fraturas, exceto o risco de fraturas vertebrais clinicamente diagnosticadas. Além disso, estudos demonstram que as fraturas não vertebrais foram reduzidas em pacientes tratados com alendronato por 10 anos (em comparação com aqueles tratados por cinco anos) somente naqueles em que o T-score do colo do fêmur permaneceu abaixo de -2,5 após cinco anos de terapia ou naqueles que sofreram uma fratura vertebral antes do inicio do tratamento. Devido à característica de acúmulo dos bifosfonatos no osso e também ao seu uso prolongado, eventos adversos sérios começaram a ser reportados a partir de 2003. Assim, a reavaliação da continuação do uso de bifosfonatos após cinco anos tem sido proposta e a decisão de sua manutenção ou suspensão, associados ou não com cálcio e/ou vitaminada D, deve ser individualizada levando-se em conta os riscos e benefícios para cada paciente.

Referências:

RADOMINSKI S.C.et al. Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa. Rev.Bras.de Reumatologia. 2016. 57 (S2): S452-S466.

Disponível em > http://www.scielo.br/pdf/rbr/v57s2/pt_0482-5004-rbr-57-s2-s452.pdf