Paciente possui dente 16 com grande destruição coronária e foi requisitado uma radiografia do elemento. Gostaria de saber se, pela radiografia, há chance de ocorrer comunicação buco-sinusal após a extração do dente.
Paciente possui dente 16 com grande destruição coronária e foi requisitado uma radiografia do elemento. Gostaria de saber se, pela radiografia, há chance de ocorrer comunicação buco-sinusal após a extração do dente.

Profissional solicitante: Cirurgião Dentista

Resposta:

As raízes dos dentes superiores posteriores, principalmente molares, podem encontrar-se em íntima relação com o seio maxilar, podendo em alguns casos haver protrusão dessas raízes em seu interior. É recorrente em alguns procedimentos cirúrgicos ou endodônticos acontecer a comunicação buco-sinusal, envolvendo principalmente o primeiro molar. Em vista a esta complexidade da anatomia sinusal diferentes exames radiográficos são necessários para mostrar adequadamente a relação das raízes dos elementos dentários com o seio maxilar. O exame radiográfico convencional apresentado na sua pergunta ilustra uma imagem bidimensional, com limitações técnicas como sobreposições de estruturas, distorções e magnificação das imagens. Portanto somente com esse recurso de imagem não é possível precisar se haverá comunicação buco-sinusal durante o procedimento cirúrgico. Essa imagem é inapropriada para precisão morfométrica das relações de estruturas anatômicas. Outro exame de imagem como a radiografia panorâmica também não é adequada para uma profunda avaliação do assoalho do seio maxilar e suas variações. Esta também apresenta imagem bidimensional, borramento e sobreposição de estruturas, além de alargamento mésio-distal e vertical das imagens, não permitindo a precisa análise do seio maxilar. A tomografia computadorizada seria a melhor escolha de exame complementar, pois permite alta resolução de imagens de estruturas ósseas. Esse exame fornece uma imagem tridimensional do seio maxilar, permitindo a visualização das estruturas ósseas e suas variações anatômicas de forma mais precisa, contribuindo assim para a elaboração de um diagnóstico e plano de tratamento que visam minimizar os riscos de acidentes e complicações. A tomografia computadorizada é atualmente considerada a técnica mais acurada para planejamento pré-cirúrgico, e está disponível como recurso de imagem para nós cirurgiões dentista no serviço público. Espero poder ter ajudado com sua dúvida!

 

 

Referências:

1-Freitas TMC, Farias JG, Mendonça RG, Alves MF, Ramos Júnior RP, Câncio AV. Fístulas oroantrais: diagnóstico e propostas de tratamento. Rev Bras Otorrinolaringol 2003; 69(6): 838-44

2-Eberhardt JA, Torabinejad M, Christiansen EL. A computed tomographic study of the distances between the maxillary sinus floor and the apices of the maxillary posterior teeth.- Oral Surg Oral Med Oral Pathol 1992; 73: 345-6 3D-

3- Lopes PML, Parella A, Moreira CR, Rino Neto J, Cavalcanti P. Aplicação de medidas cefalométricas em TC. Rev Dent Press Ortodon Ortop Facial 2007; 12(4): 99-106

4-Reddy M, Wang I. Radiographic determinants of implant performance. Adv Dent Res 1999; 13: 36-45

5- Silva APR. Relação das raízes dos molares superiores com o seio maxilar avaliação por tomografia computadorizada. Dissertação de mestrado. Faculdade de Odontologia da Universidade Luterana do Brasil, Canoas – RS 2009.

6-Pagin O. Avaliação da relação entre as raízes dos dentes posteriores e o assoalho do seio maxilar em pessoas sem e com fissura labiopalatina. Tese de Doutorado – Faculdade de Odontologia de Bauru. 2015