Paciente masculino, de 52 anos de idade, com antecedente de alcoolismo, vem à consulta para análise de exames anteriormente solicitados e realizados em janeiro/2020, sem queixas. Exames físico com abdome moderadamente globoso. Nos chama atenção: Potássio = 3,0. Sem alterações em creatinina e outros exames laboratoriais. Além de novos exames e eletrocardiograma, qual a conduta mais adequada para a reposição de potássio na atenção básica?
Paciente masculino, de 52 anos de idade, com antecedente de alcoolismo, vem à consulta para análise de exames anteriormente solicitados e realizados em janeiro/2020, sem queixas. Exames físico com abdome moderadamente globoso. Nos chama atenção: Potássio = 3,0. Sem alterações em creatinina e outros exames laboratoriais. Além de novos exames e eletrocardiograma, qual a conduta mais adequada para a reposição de potássio na atenção básica?

Profissional Solicitante:

           Medico da Estratégia de Saúde da Família

Resposta:

Obrigado pela pergunta! Acho que a partir da premissa de ver o paciente como um todo, sempre é interessante correlacionar o resultado de exames com a clínica. Neste caso o paciente tem alguma clínica correspondente a hipocalemia como sensação de fraqueza, câimbras, vômitos, íleo paralítico, tetania, hipoventilação, hipotensão? A avaliação do ECG precisa ser criteriosa, pois podemos ter achatamento de onda T , aparecimento de onda U e presença de arritmias, situações em que o paciente deve ser encaminhado para serviços de urgência.

A presença de clínica exuberante ou níveis de potássio inferior a 2.5 pressupõem tratamentos mais agressivos, devendo ser realizados em ambientes hospitalares ou serviços de urgência. Sempre é interessante tentar investigar a causa do problema de forma concomitante ao tratamento, lembrando da possibilidade de que muitas medicações causam hipocalemia (principal causa), bem como alterações renais e problemas no trato gastrointestinal, além de síndromes endócrinas mais raras. O uso abusivo de álcool pode predispor alterações renais e do trato gastrointestinal, além de poder causar alcalose metabólica, todas estas causas precisam ser investigadas, a priori, antes de se instituir o tratamento. A partir desta premissa, após esta investigação, só é seguro fazer na UBS apresentações orais. A dose recomendada varia de 40 a 100 mEq dividido em 2 a 4 doses dia.

Referências:

Gusso G, Lopes JMC, Dias LC, editores. Tratado de Medicina da Família. 2. ed. Porto Alegre, Brasil: Artmed Editora, 2019.

Junior, MEM, Silva ATC, Junior AHA, Cintra EO, Lopes HR, Rios IC, et al, editores. Manual do Médico da Família. 1.ed. São Paulo, Brasil: Martinari Editora; 2019.