Paciente do sexo feminino, de 20 anos, com antecedente de crise convulsiva antes da gestação com cessação do quadro sem medicação e sem investigação prévia. 18 meses pós parto apresentou apenas um episódio de crise convulsiva tônico-clônica generalizada, esteve no PS onde realizou TC de crânio sem alteração e recebeu alta sem medicação. Está ainda amamentando filho de 1a9m. Foi encaminhada para neuro e solicitado exames para avaliação metabólica e sorologias. Até ser encaminhada para investigação com especialista, devo introduzir anticonvulsivante? Se sim, qual diante do aleitamento materno ainda presente? Desde já obrigada.
Paciente do sexo feminino, de 20 anos, com antecedente de crise convulsiva antes da gestação com cessação do quadro sem medicação e sem investigação prévia. 18 meses pós parto apresentou apenas um episódio de crise convulsiva tônico-clônica generalizada, esteve no PS onde realizou TC de crânio sem alteração e recebeu alta sem medicação. Está ainda amamentando filho de 1a9m. Foi encaminhada para neuro e solicitado exames para avaliação metabólica e sorologias. Até ser encaminhada para investigação com especialista, devo introduzir anticonvulsivante? Se sim, qual diante do aleitamento materno ainda presente? Desde já obrigada.

Profissional solicitante:

Médico Clínico

 

Resposta

 

Boa tarde. Agradecemos o uso da plataforma telessaúde São Paulo, para tratar de sua dúvida. O questionamento refere-se à possibilidade de introdução de anticonvulsivante para paciente jovem (20 anos) lactante (há 1 ano e 9 meses) com antecedente de crise convulsiva com cessação espontânea e novo episódio atual de crise generalizada tônico clônica. Cita ainda em investigação atual ter sido realizado exame de imagem (TC de Crânio) sem alterações, encaminhamento ao especialista e feita solicitação de exames. Quanto ao caso é orientação à introdução de anticonvulsivantes após um segundo episódio de crise, principalmente se ocorrerem em curto intervalo (menos de 1 ano) e se apresentam sintomatologia proeminente. (1) Para a Crise Tônico Clônica Generalizada (CTCG) a escolha terapêutica irá basear-se na adequada classificação do tipo de síndrome epiléptica identificada uma vez que este quadro convulsivo pode ter início generalizado ou início focal com generalização secundária com diferente abordagem terapêutica para cada caso. (2) Nesse sentido a realização de Eletroencefalograma é fundamental para todos os pacientes que apresentem sintomas convulsivos e irá direcionar o tratamento (1,2). Em linhas gerais deve-se considerar que o tratamento seja “preferencialmente em monoterapia, dose única, se possível, e livre de efeitos colaterais” (Nível 1A de evidência) e quanto ao aleitamento este é seguro para a maioria das lactantes com crises epilépticas salvo raras exceções, devendo ser estimulado, pois a quantidade de fármaco transferida ao leite é muito pequena e menor que a transferida pela placenta. (1,3) Mais especificamente, fármacos como valproato, fenobarbital, fenitoína e carbamazepina não penetram no leite materno em quantidades potencialmente importantes clinicamente. (1) Ainda, considerando a oferta de um cuidado ampliado e uma vez que o maior risco de uso de anticonvulsivantes recai sobre a condição de gestação e o uso destes favorece uma redução da eficácia de anticoncepcionais orais, deve ser trabalhado como método contraceptivo de escolha o uso de DIU com levonorgestrel nas mulheres que realizem tratamento com estas medicações. (1)

 

Referência:

 

1-            Duncan, B., Schmidt, M. e Giugliani, E.  Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseadas em Evidências. 4. ed. Porto Alegre: Grupo A – Artmed; 2013.

 

2-            Hixson, J. e  Rao, V. Convulsões  generalizadas . BMJ Best Practice. [online]  Disponível  em https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/543  [Acessado 11 Dez.  2018].

 

3-            Gusso, G. e  Ceratti, J. Tratado de Medicina de Família e Comunidade: Princípios Formação e Prática 2. ed.

Florianópolis: Grupo A – Artmed; 2012.)