Paciente de 67 anos com histórico de HAS mal controlada, DM e depressão, em tratamento com enalapril, metformina, hidroclorotizida, sulpirida e nortriptilina. Em exames laboratoriais de rotina apresenta: perfil de lipídeos alterado: CT: 254; HDL: 36; LDL 96; VLDL sem resultado informado; triglicérides: 652. Como iniciar o tratamento? O mais apropriado seria iniciar estatinas, visando prevenção primaria, ou iniciar com fibratos?

Paciente de 67 anos com histórico de HAS mal controlada, DM e depressão, em tratamento com enalapril, metformina, hidroclorotizida, sulpirida e nortriptilina. Em exames laboratoriais de rotina apresenta: perfil de lipídeos alterado: CT: 254; HDL: 36; LDL 96; VLDL sem resultado informado; triglicérides: 652. Como iniciar o tratamento? O mais apropriado seria iniciar estatinas, visando prevenção primaria, ou iniciar com fibratos?
Paciente de 67 anos com histórico de HAS mal controlada, DM e depressão, em tratamento com enalapril, metformina, hidroclorotizida, sulpirida e nortriptilina. Em exames laboratoriais de rotina apresenta: perfil de lipídeos alterado: CT: 254; HDL: 36; LDL 96; VLDL sem resultado informado; triglicérides: 652. Como iniciar o tratamento? O mais apropriado seria iniciar estatinas, visando prevenção primaria, ou iniciar com fibratos?

Profissional Solicitante:

Médico generalista

Resposta:

Prezada colega, o passo a passo do tratamento da hipertrigliceridemia é iniciado pela estratificação de risco cardíaco do paciente em questão. O risco cardíaco orienta a rapidez com que o tratamento é instituído e quais alvos estabelecer para colesterol que não seja de lipoproteína de alta densidade. As diretrizes do National Colesterol Education Program Adult Treatment Program III indicam os seguintes fatores de risco cardíaco a serem considerados ao tratar pessoas com triglicérides elevados: 1- hipertensão, 2- tabagismo, 3- HDL 40 e 4- história familiar de doença arterial coronariana prematura em um parente de primeiro grau do sexo masculino com menos de 55 anos ou em um parente de primeiro grau do sexo feminino com menos de 65 anos de idade. Sendo assim a meta para colesterol não HDL deste paciente, que já tem 2 fatores de risco cardíaco, além da diabetes mellitus, é 130 com uma meta ideal de 100. Tratamento medicamentoso para triglicérides acima ou igual de 500, em caso de paciente que não apresenta dor abdominal, pois caso apresente possibilidade de quilomicronemia sintomática com dor abdominal e/ou pancreatite aguda deve ser encaminhado para o hospital. Sendo assim, o paciente deve receber primordialmente orientações sobre mudanças de estilo de vida, dieta e atividades físicas que são essenciais no tratamento. Pode introduzir fibrato e/ou ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 (AGPIs, óleos de peixe). Assim que os níveis de triglicérides estiverem menores que 500, poderão ser iniciados medicamentos para diminuição do LDL, como estatinas para alcançar as metas de não HDL como recomendado de acordo com o fator de risco cardíaco. Ademais permaneço a disposição. Espero que tenha elucidado as questões pertinentes a este caso. Muito grata pela oportunidade.

Referências:

Leaf DA. Hipertrigliceridemia. BMJ Best Practice. 26 fev 2021. Acesso em 26 mar 2021. Disponível em: https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/146

Santos RD, Martin SS, Cardoso R. Hipercolesterolemia. BMJ Best Practice. 26 fev 2021. Acesso em 26 mar 2021. Disponível em: https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/170