Na abordagem de gestante com Síndrome Gripal, sempre haverá dúvida pelo profissional da saúde sobre o agente etiológico causador. Fui orientado pela direção da minha unidade a prescrever Oseltamivir 75 mg a cada 12 horas por 5 dias (conforme se fazia na pandemia da influenza A , o H1N1, em 2009), visando mitigar o efeito de vírus sensíveis a este fármaco, sem, obviamente, objetivar a Covid-19. No entanto, não encontrei qualquer publicação oficial e atual que assim orientasse. Desta forma, perguntaria se esta é realmente a conduta preconizada, com vistas ao panorama atual – prescrição de 0seltamivir a todas as gestantes com Síndrome Gripal.
Na abordagem de gestante com Síndrome Gripal, sempre haverá dúvida pelo profissional da saúde sobre o agente etiológico causador. Fui orientado pela direção da minha unidade a prescrever Oseltamivir 75 mg a cada 12 horas por 5 dias (conforme se fazia na pandemia da influenza A , o H1N1, em 2009), visando mitigar o efeito de vírus sensíveis a este fármaco, sem, obviamente, objetivar a Covid-19. No entanto, não encontrei qualquer publicação oficial e atual que assim orientasse. Desta forma, perguntaria se esta é realmente a conduta preconizada, com vistas ao panorama atual – prescrição de 0seltamivir a todas as gestantes com Síndrome Gripal.

Profissional Solicitante:

Médico ginecologista e obstetra

Resposta:

Em março deste ano, o Ministério da Saúde (MS) juntamente com a Secretaria de Atenção Primária à Saúde, emitiu a Nota técnica nº 6, com orientações a serem adotadas na atenção à saúde das gestantes, no contexto da pandemia do novo Coronavírus (SARS- Cov2). Nela se preconiza a prescrição de Oseltamivir para todas as gestantes com quadro de Síndrome Gripal, devendo ser classificadas com base nos critérios dos protocolos do MS, devido à condição atual de transmissão comunitária. Sabemos das infecções respiratórias de etiologia viral , SARS-Cov e MERS-Cov em 2002 e 2012 respectivamente , além da pandemia associada ao vírus influenza HIN1 , que se caracterizou por um grande número de desfechos adversos em gestantes , porém , em sentido contrário , até o momento ,o SARS-CoV-2 não parece se associar a risco de maior gravidade em gestantes , mesmo que a maioria dos casos descritos na literatura científica tratem de mulheres na 2 metade da gestação ; tendo quadro clínico observado em gestantes com a SARS-CoV2 semelhante ao observado em adultos não gestantes , bem como taxas de complicação e de evolução para casos graves . Sendo assim, recomenda-se, além do uso do Oseltamivir, continuidade das ações de cuidado ao pré-natal, resguardando-se o zelo com a prevenção de aglomerações, melhores práticas de higiene e com o rastreamento e isolamento domiciliar de casos suspeitos de síndrome gripal. À disposição para demais dúvidas.

Referências:

Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. NOTA TÉCNICA Nº 6/2020-COSMU/CGCIVI/DAPES/SAPS/MS. Atenção às Gestantes no Contexto da Infecção SARS-COV-2. Brasília (DF); 2020. Disponível em https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/wp-content/uploads/2020/03/SEI_MS-0014128689-Nota-Te%CC%81cnica.pdf

Organização Mundial de Saúde. Vigilância mundial da COVID-19 causada por infecção humana pelo vírus COVID-19. Genebra (CH); 2020 Disponível em https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/331231/WHO-2019-nCoV-SurveillanceGuidance-2020.4-por.pdf?sequence=33&isAllowed=y

Rasmussen SA, Smulian JC, Lednicky JA, Wen TS, Jamieson DJ. Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) and Pregnancy: What obstetricians need to know. Am J Obstet Gynecol. 2020. Disponível em https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/biblioteca/coronavirus-disease-2019-covid-19-and-pregnancy-what-obstetricians-need-to-know/