Mulher de 50 anos, sem comorbidades, vem observando queda de cabelo discreta há 5 anos, porém em junho/2020 observou alopécia focal, que continua em crescimento até hoje, atualmente com 5,5cm de diâmetro. Ao exame, sem descamação em couro cabeludo e queda de 5-10 fios ao tracionar mechas do cabelo. Quando observou a lesão focal no ano passado, procurou orientação médica, que solicitou exames, dentre os quais apresentou TSH = 28. Foi prescrito levotiroxina 50mcg, que a paciente tomou por 3 meses e parou de tomar no início deste mês. Nega qualquer melhora da queda durante o uso de LT4 e refere situação de estresse no trabalho no ano passado. Reiniciei a medicação e encaminhei para o Dermatologista. Achei que, pelo tamanho da lesão focal, é incompatível com quadro de hipotireoidismo apenas. Quais outros diagnósticos possíveis? Como investigar? Há algum tratamento que já possa ser iniciado?

Mulher de 50 anos, sem comorbidades, vem observando queda de cabelo discreta há 5 anos, porém em junho/2020 observou alopécia focal, que continua em crescimento até hoje, atualmente com 5,5cm de diâmetro. Ao exame, sem descamação em couro cabeludo e queda de 5-10 fios ao tracionar mechas do cabelo. Quando observou a lesão focal no ano passado, procurou orientação médica, que solicitou exames, dentre os quais apresentou TSH = 28. Foi prescrito levotiroxina 50mcg, que a paciente tomou por 3 meses e parou de tomar no início deste mês. Nega qualquer melhora da queda durante o uso de LT4 e refere situação de estresse no trabalho no ano passado. Reiniciei a medicação e encaminhei para o Dermatologista. Achei que, pelo tamanho da lesão focal, é incompatível com quadro de hipotireoidismo apenas. Quais outros diagnósticos possíveis? Como investigar? Há algum tratamento que já possa ser iniciado?
Mulher de 50 anos, sem comorbidades, vem observando queda de cabelo discreta há 5 anos, porém em junho/2020 observou alopécia focal, que continua em crescimento até hoje, atualmente com 5,5cm de diâmetro. Ao exame, sem descamação em couro cabeludo e queda de 5-10 fios ao tracionar mechas do cabelo. Quando observou a lesão focal no ano passado, procurou orientação médica, que solicitou exames, dentre os quais apresentou TSH = 28. Foi prescrito levotiroxina 50mcg, que a paciente tomou por 3 meses e parou de tomar no início deste mês. Nega qualquer melhora da queda durante o uso de LT4 e refere situação de estresse no trabalho no ano passado. Reiniciei a medicação e encaminhei para o Dermatologista. Achei que, pelo tamanho da lesão focal, é incompatível com quadro de hipotireoidismo apenas. Quais outros diagnósticos possíveis? Como investigar? Há algum tratamento que já possa ser iniciado?

Profissional Solicitante: Médico da estratégia de saúde da família

Resposta:

Olá boa tarde.

Geralmente as alopécias causadas pelo hipotireoidismo não se apresentam de formas focais, sendo mais generalizadas mas podendo ser um diagnóstico diferencial. Pela característica da alopécia e histórico da paciente poderíamos suspeitar de alopecia areata, ou até mesmo de alguma doença auto imune. Fatores emocionais também poderiam contribuir para piora dessa alopécia. Acredito que sua conduta foi adequada. Manter o tratamento com levotiroxina, manter o encaminhamento pra dermatologista para uma segunda opinião, e a solicitação de provas reumatológicas viria a ser uma boa opção de conduta, visto que pode se fazer esse diagnóstico diferencial.

A imagem reforça a suspeita de alopecia areata que geralmente cursa com piora com fatores emocionais como estresse. Um bom teste seria a tração dos fios da borda da lesão, sendo positivo se os mesmos vierem a cair também.

Presença de pelos peládicos na lesão também sugere diagnóstico de alopecia areata. O tratamento pode ser realizado com corticoide tópico, e em alguns casos aplicação de corticoide intradérmico.

Vale a pena realizar uma abordagem psicológica para controle dos fatores de estresse e, se indicado, pode ser realizada terapia com medicação psicotrópica.

Referências:

Bolognia JL, Jorizzo JL, Schaffer JV. Dermatologia. 3a ed. Rio de Janeiro: Elsevier Editora, 2015.

Rivitti EA. Alopecia areata: revisão e atualização – artigo de revisão. An Bras Dermatol. 2005;80(1):57-68.