MO, 43 anos durante uma consulta de rotina vem com os resultados de exames alterados:hemograma: hm: 3,24 hb:5,7 hct: 19,7 M micrositose M anisocitose D poiquilocitose M policromasia e plaquetas 300.00 com macroplaquetas (14/03/2018) Paciente assintomática relata alteração fluxo menstrual nos últimos 2 meses aumento volume não sabe dizer quanto e um episodio de aumento de fluxo muito alto por apenas um dia, ao exame físico apenas hipocorada. Tem diagnostico de HAS compensada. Após a consulta solicitei transferência da paciente para hospital de referencia na qual teve avaliação clinica e encaminhamento de retorno ao medico da família. após esse episódio foram mais 2 tentativas de internação hospitalar sem sucesso. informei a gerencia na unidade sobre o caso, informei o medico RT que como resposta tentaria uma internação direta medico para medico mas não obtive retorno ate o momento. Gostaria de saber qual seria a conduta adotada? Paciente está medicada com medicações oferecida pelo SUS e encaminhada para hematologia sem previsão de consulta e o caso foi matriciado e passado pra GO da unidade.
MO, 43 anos durante uma consulta de rotina vem com os resultados de exames alterados:hemograma: hm: 3,24 hb:5,7 hct: 19,7 M micrositose M anisocitose D poiquilocitose M policromasia e plaquetas 300.00 com macroplaquetas (14/03/2018) Paciente assintomática relata alteração fluxo menstrual nos últimos 2 meses aumento volume não sabe dizer quanto e um episodio de aumento de fluxo muito alto por apenas um dia, ao exame físico apenas hipocorada. Tem diagnostico de HAS compensada. Após a consulta solicitei transferência da paciente para hospital de referencia na qual teve avaliação clinica e encaminhamento de retorno ao medico da família. após esse episódio foram mais 2 tentativas de internação hospitalar sem sucesso. informei a gerencia na unidade sobre o caso, informei o medico RT que como resposta tentaria uma internação direta medico para medico mas não obtive retorno ate o momento. Gostaria de saber qual seria a conduta adotada? Paciente está medicada com medicações oferecida pelo SUS e encaminhada para hematologia sem previsão de consulta e o caso foi matriciado e passado pra GO da unidade.

Categoria Profissional solicitante: Médico da Estratégia de Saúde da Família

Resposta : Trata-se de pergunta de médico generalista sobre conduta a ser adotada para a uma paciente de 43 anos com anemia importante, com hemoglobina de 5,7 g/dl e história de perda sanguínea menstrual (considerando leucócitos e plaquetas dentro dos limites da normalidade). Consultamos o especialista ( hematologista) e segue seus comentários: Sabemos que a velocidade da instalação da anemia está diretamente relacionada a riqueza de sinais e sintomas cardiovasculares. Quando a anemia é de instalação lenta, o organismo reúne condições para se adaptar ajustando a nova situação de menor nível de hemoglobina. No entanto, há limites para esta adaptação, que deve ser definida caso a caso sendo peculiar para cada indivíduo. A indicação de internação e de transfusão para este caso depende da sintomatologia e clínica do paciente. A transfusão deve ser evitada sempre que possível e deve ser indicada com critérios. O nível de hemoglobina sozinho não define a indicação de transfusão de concentrado de hemácias. Habitualmente os protocolos definem que hemoglobina abaixo de 7,0 gr/dl com frequência é indicação para transfusão, entre 7,0 e 10,0 gr/dl pode ser indicação e acima de 10,0 gr/dl menos frequentemente constitui indicação. Estes parâmetros devem ser avaliados em conjunto os dados clínicos do paciente e com a presença ou ausência de morbidades cardiovasculares, bem como o volume de perdas sanguíneas. O médico generalista pode optar por continuar a investigação ambulatorial ou encaminhar para um pronto socorro, dependendo do estado clínico da paciente. Verificar sintomas como tontura, desmaios, cansaço extremo, sinais de sobrecarga cardíaca, falta de ar, precordialgia, hipotensão postural, perda sanguínea presente e significativa, entre outros sintomas e sinais que se presentes podem indicar a necessidade de imediata intervenção e realização de transfusão de sangue. Por outro lado, se paciente estável e sem sintomatologia e com pequena perda sanguínea poderia ser possível que a investigação fosse realizada fora do ambiente hospitalar. Não acredito ser uma boa opção esta última, uma vez que exigiria agilidade na investigação e rápida intervenção de outros especialistas como o ginecologista para investigar a metrorragia (mioma , outras causas…) e hematologista para investigar a anemia e coagulopatias, bem como iniciar o tratamento. O mais provável para este caso, inclui a investigação do quadro de anemia por deficiência de ferro (dosagem de ferro sérico, ferritina, capacidade de ligação de ferro) e investigação da causa da perda sanguínea (orgânica agravada ou não por coagulopatia ou deficiência de função plaquetária). Observação: entendi como 300 mil a quantidade de plaquetas

 

Referências:

Hoffbrand A. Victor, Moss H.A. Paul- Fundamentos em Hematologia- Editora Artmed, 7º edição, 2017.

Zago A. Marco, Falcão P. Roberto, Pasquini Ricardo- Tratado de Hematologia- Editora Atheneu. Edição Kindle, 2016.

Fung K. Mark, Grossman J. Brenda, Hillyer D. Christopher, Wewsthoff M. Connie – Technical Manual of The American Association of Blood banks,18ª edition, 2014.