Mãe refere que sua filha, de 3 anos, apresenta secreção vaginal verde fétida. em escassa quantidade. há mais ou menos 6 meses, acompanhada de dor em região genital quando faz a limpeza. No exame físico só evidencio saída de secreção verde esbranquiçada, sem fedor. Na cultura de secreção vaginal apresentou Escherichia Coli resistente para amoxicilina e ampicilina; sensível para amicacina, cefepima, ceftazidima, ceftriaxona, cefuroxima, ciprofloxacino, ertapenem, gentamicina, imipenem e meropenem. Resto dos exames sem alteração. Qual seria a conduta para tomar? Essa criança precisa passar pela Ginecologista?
Mãe refere que sua filha, de 3 anos, apresenta secreção vaginal verde fétida. em escassa quantidade. há mais ou menos 6 meses, acompanhada de dor em região genital quando faz a limpeza. No exame físico só evidencio saída de secreção verde esbranquiçada, sem fedor. Na cultura de secreção vaginal apresentou Escherichia Coli resistente para amoxicilina e ampicilina; sensível para amicacina, cefepima, ceftazidima, ceftriaxona, cefuroxima, ciprofloxacino, ertapenem, gentamicina, imipenem e meropenem. Resto dos exames sem alteração. Qual seria a conduta para tomar? Essa criança precisa passar pela Ginecologista?

Profissional solicitante:

Médico da estratégia de saúde da família

 

Resposta:

Diante do quadro descrito, à princípio, não há necessidade de encaminhar esta criança ao ginecologista. Vaginites nesta idade podem ter causas infecciosas, anomalias congênitas, trauma ou condições dermatológicas. Pela história, exame físico e resultados dos exames que você já realizou, é importante observar as causas da provável origem infecciosa e algumas condutas que devem ser tomadas: Problemas na higiene, tanto devido ao uso de produtos que podem irritar e piorar os sintomas, quanto à falta de limpeza adequada. A orientação, para o banho diário, e deixar a criança sentada em recipiente com água limpa durante 10 a 15 minutos (com vigilância constante) e lavar com sabonete neutro todo o corpo, enxaguar bem, e retirar da banheira. Não deixar a região genital em contato com produtos de higiene. Secar bem, sem esfregar. Rever com os pais e cuidadores, as orientações quanto à limpeza da região, efetuando sempre da frente para trás (para evitar contaminação por bactérias e outros possíveis agentes da região anal para o períneo). Utilizar tecidos próprios (calcinhas de algodão) e, se possível, não utilizar calças de pijama, deixando ventilar melhor a região durante a noite. Ao lavar as calcinhas, enxaguar muito bem, para não deixar resíduos de produtos, como sabão. Em geral, estas condutas resolvem casos de infecção inespecífica (o resultado do exame sugere bactéria comum da flora intestinal). Outras causas importantes de serem observadas, caso não haja melhora com as condutas relacionadas, em cerca de 2 a 3 semanas: oxiúros e corpo estranho. No primeiro caso, verificar se há queixa de prurido, tanto na região anal quanto genital. Em caso de forte suspeita clínica, pode-se fazer uma prova terapêutica. Na suspeita de corpo estranho, mantendo o quadro, então, seria necessário encaminhamento para especialista para exame específico, como vaginoscopia. É importante, ainda, ficar atenta quanto ao comportamento e outros aspectos relacionados ao ambiente da criança, para afastar a possibilidade de abuso como causa de vulvovaginite nesta idade.

 

Referência:

Laufer MR, Emans SJ. Overview of vulvovaginal complaints in the prepubertal child. 2018 Jul 02  in: UpToDate [internet]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/overview-of-vulvovaginal-complaints-in-the-prepubertal-child