Gostaria de saber se em casos de criptorquidia em maiores de 2 anos há necessidade de realizar USG de abdome antes da cirurgia para avaliar a presença de testículo abdominal.
Gostaria de saber se em casos de criptorquidia em maiores de 2 anos há necessidade de realizar USG de abdome antes da cirurgia para avaliar a presença de testículo abdominal.

Profissional Solicitante:

            Médico Pediatra

Resposta:

Cara colega, ótima pergunta! Primeiramente devemos diferenciar o que se chama em “latu sensu” de criptorquidia da seguinte forma; se o testículo que está fora do escroto for identificado em posição mais alta, considera-se como criptorquidia propriamente dita. Por outro lado, quando adquirem ocasionalmente posição fora do escroto, estando na sua posição normal durante o repouso, denomina-se testículo retrátil (este não necessita tratamento). Quando o testículo pode ser palpado fora do caminho natural em direção ao escroto, localizando-se, entre outros locais, na raiz da coxa ou no lado contralateral do escroto, denominando-se então testículo ectópico. Entre 10 e 20% dos casos não é possível palpar os testículos, seja por estarem ainda no interior do abdômen ou por não terem se desenvolvido normalmente. Já os testículos criptorquídicos, ectópicos e impalpáveis necessitam ser tratados, para que tenham seu desenvolvimento normal (testículos impalpáveis). Além da palpação e da diferenciação entre os tipos acima descritos (testículos retráteis, ectópicos e criptorquidia verdadeira), outros métodos podem ser utilizados no diagnóstico, sendo que todos eles possuem baixa sensibilidade. A ultrassonografia (US) realizada com transdutor de 5-7MHz tem um custo/benefício melhor e habitualmente permite a detecção de testículos localizados junto ao anel inguinal interno. Além disso, a US é útil na identificação de resquícios müllerianos e pode reconhecer o deferente, porém com baixa sensibilidade para alterações anatômicas dos mesmos. A tomografia computadorizada apresenta grande número de resultados falso-negativos (cerca de 44%), além de empregar radiação ionizante e necessitar de sedação. A ressonância magnética nuclear é pouco superior à tomografia, porém ainda com baixa sensibilidade. A necessidade de sedação também é um fator limitante para a RM. A laparoscopia diagnóstica e terapêutica tem sido utilizada no criptorquismo verdadeiro, mas só é encontrada em centros de excelência. Permitem uma identificação precisa da localização testicular, das características do funículo espermático e do epidídimo. É um dos métodos seguros para a confirmação do anorquismo unilateral. Depende diretamente da experiência do cirurgião e da disponibilidade de material especializado para sua realização em crianças pequenas. Quanto ao tratamento, a idade ideal para sua realização situa-se entre 06 e 18 meses de idade, para que não se corra o risco de terem lesões irreversíveis. As duas formas de tratar a criptorquidia são: hormonioterapia e cirurgia. Neste presente caso, acredito que a solicitação de US pode ser feita, tendo-se em mente sua baixa sensibilidade, concomitantemente ao encaminhamento para um cirurgião pediátrico para resolução definitiva do problema. Ficamos a sua disposição, sendo um prazer atendê-la. Grande abraço!

Referências:

            Hospital Sírio-Libanês, Urologia. Problemas urológicos na infância, criptorquidia. São Paulo. Disponível em: https://www.hospitalsiriolibanes.org.br/hospital/especialidades/nucleo-avancado-urologia/Paginas/problemas-urologicos-infancia.aspx

            Longui CA. Diagnóstico e tratamento do criptorquismo. Arq Bras Endocrinol Metab. 2005; vol 49: 165 – 171. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/abem/v49n1/a21v49n1.pdf