Gostaria de receber indicação de instrumentos para planejamento estratégico anual das equipes saúde da família

Gostaria de receber indicação de instrumentos para planejamento estratégico anual das equipes saúde da família
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Profissional Solicitante: Gerente de serviços de saúde

Resposta:

O processo de trabalho em uma unidade de atenção básica é um todo complexo, constituído por relações de interdependência entre vários subprocessos de trabalho, que agem, interagem, dialogam e retroagem entre si. Para isso, o gerenciamento da unidade e das equipes exige profissional competente. Entre outras características necessárias para uma gestão de qualidade, destacam-se visão global, comunicação eficaz, gerenciamento de conflitos e mudanças, uso de processo decisório participativo, gestão de planos, saber responsabilizar-se e fomento de ambiente produtivo de trabalho (FLEURY; OLIVEIRA JUNIOR, 2001)

Partindo dessas questões, e como solicitado, O PES é apresentado em 04 (quatro) momentos fundamentais: o explicativo, o normativo, o estratégico e o tático-operacional (MATUS, 1997 apud BIRCHAL; ZAMBALDE; BERMEJO, 2012). Momento 1 Explicativo Explicar como nasce e se desenvolve o problema. Explicar a realidade por intermédio da apreciação situacional. Cada ator apresentando a sua visão, o que justifica os “vários olhares” para a definição do que deverá ser contemplado no planejamento; é o momento em que os trabalhos são iniciados e se identificam os “nós críticos”. Momento 2 Normativo Fazer planos para atacar as causas do problema mediante operações. Conceber o plano por meio de apostas. Elaboram-se e elencam-se as prioridades e como se desenvolverão as ações para desatar os “nós críticos”; as pessoas que atuarão diretamente nessas empreitadas, os cenários possíveis, os recursos a serem envidados e também os produtos e os resultados passíveis de serem obtidos. Prepare alternativas para as situações imprevistas. Momento 3 Estratégico Analisar a viabilidade do plano ou verificar o modo de construir sua viabilidade. Definir o que é possível por intermédio da análise estratégica. É o momento onde são montadas as estratégias que devem ser estruturadas para os atores contrários ou indiferentes às ações. Apontando as estratégias de negociação e cooperação, ao invés do desgaste de um enfrentamento, como metodologia mais produtiva na geração de possíveis conflitos. É nesse momento que tanto as estratégias quanto a trajetória ainda podem ser alteradas (ARTMANN, 2000). Momento 4 – Tático – Operacional Por último atacar o problema na prática, realizando as operações planejadas. Utilizar o cálculo, a ação e a correção no dia-a-dia. (RIEG; ARAÚJO FILHO, 2002, p. 165). Tudo o que foi planejado será posto em prática; a gestão e monitoramento das etapas a serem implementadas e os resultados esperados deverão ser constantemente acompanhados para que os impactos das ações relacionadas no primeiro momento sejam contemplados com resolutividade.

Segue algumas ferramentas para o PES: 1. Missão, Visão e Valores Ponto de partida para o PES. É muito difícil se planejar quando você desconhece quem é, principalmente se falamos de uma empresa. Por isso, o primeiro passo a ser definido são questões imprescindíveis como: missão, visão e valores. Basicamente, a missão fala da sua razão invariável de abrir as portas. A visão é como você se enxerga no futuro (e varia à medida que o negócio evolui) e os valores falam de quais tópicos você não pode abrir mão ao longo dos anos de atuação.

2. Canvas Modelo de Negócio Definidas ou reavaliadas questões como missão, visão e valor, é hora de partir para outras etapas, como a do modelo de negócio. Ou seja, como pretende obter receita? Onde irá vender o produto ou serviço? Como fará a oferta e para quem? E por aí vai. Trata-se de um esquema, uma ferramenta especialmente interessante para as pessoas que têm gatilhos mentais por meio da visão. Etapas do Canvas. o O quê; o Quem; o Como; o Quanto. 3. Análise SWOT Outra ferramenta, a Matriz SWOT possivelmente seja a mais conhecida entre as principais técnicas de planejamento estratégico nas empresas. Mas como funciona a Matriz SWOT? Ela possibilita um conhecimento mais amplo do negócio, permitindo entender melhor o contexto externo no qual a empresa está inserida. A sigla SWOT significa, traduzindo do inglês: o Strengths (Forças) = uma análise dos pontos fortes da organização; o Weakness (Fraquezas) = os pontos fracos que precisam ser melhorados; o Opportunities (Oportunidades) = uma reflexão das oportunidades; o Threats (Ameaças) = as ameaças ao negócio, concorrentes, etc. Ou seja, é preciso verificar as oportunidades e ameaças, utilizando os pontos fortes para corrigir suas fraquezas. Tendo isso em mente, é possível traçar estratégias que aproveitem melhor as oportunidades e minimizem ameaças. Assim é possível fazer um esquema visual que facilite o entendimento e a relação entre as etapas 4. Mapa de Planejamento Estratégico O principal objetivo de um Mapa de Planejamento Estratégico é dar aos colaboradores um panorama claro sobre o funcionamento da empresa e onde cada um é útil para o todo. Isto é, mostram como cada função está ligada ao objetivo final. Trata-se de um recurso, portanto, de engajamento – especialmente se lembrarmos que qualquer colaborador do planeta Terra gosta de sentir que seu trabalho faz diferença. A ideia é que o mapa estratégico forneça todas as informações de forma clara e concisa, simples e fácil de entender. Nada de e-mails com textos grandes ou coisas absurdamente chatas. 5. Metas As metas são balizadores da sua estratégia já que são elas que definem o caminho que você vai trilhar. Isso porque trabalham de acordo com um Planejamento Estratégico, ou seja, com um objetivo específico.

Defina indicadores de desempenho: faça com que cada objetivo possa ser mensurado de alguma forma para saber se você está alcançando o resultado que deseja ou não. Estipule quais são os indicadores de desempenho importantes para o seu negócio. O ideal é que o profissional responsável por cada setor consiga fazer o acompanhamento desses indicadores. As metas são variáveis e são revisadas de tempos em tempos, ou toda vez que o resultado almejado é alcançado. São estipuladas a partir do que é mensurado nos indicadores (item acima). Crie um plano de ação: qual é o caminho que você vai seguir? Seja qual for a sua meta, como você trabalhará para alcançá-la? Como usará sua força de trabalho? Monitore os resultados: seus resultados devem ser constantemente monitorados, uma vez que eles dão subsídios para diagnosticar se algo está errado. O mais indicado para isso é utilizar um software que automatize esse controle. Corrija o percurso: toda vez que algo der errado, ajuste a estratégia. Essa é a razão pela qual o monitoramento de métricas deve ser permanente. Os resultados apontam quando algo não vai bem. Use-os de forma analítica para ter um bom planejamento estratégico que traz os melhores resultados. Espero poder ter contribuído, Obrigada pela sua participação!

Referências:

Fleury MTL, Junior MMO, organizadores. Gestão Estratégica do Conhecimento Integrando Aprendizagem, Conhecimento e Competências. São Paulo: Atlas. 2001

Birchal FFS, Zambalde AL, Bermejo PHS. Planejamento estratégico situacional aplicado á segurança pública de Lavras (MG). Rev de Adm Pub [online]. 2012, 2012, vol.46, n.2, pp.523-545. Disponível em https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-76122012000200009&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em 06 jan 2021.

Artmann EO. O planejamento estratégico situacional no nível local: um instrumento a favor da visão multissetorial. Cadernos da Oficina Social 3: Série Desenvolvimento Local. Rio de Janeiro: Coppe/UFRJ, 2000.

Rieg DL, Araujo TF. O uso das metodologias “Planejamento estratégico situacional” e “Mapeamento cognitivo” em uma situação concreta: o caso da Pró-reitora de Extensão da UFSCar. Gestão & Produção, São Carlos, v. 9, n. 2, p. 163-179, ago. 2002. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo. php?pid=S0104-530X2002000200005&script=sci_arttext#fig01. Acesso em: 06 jan 2021.

Gomes, RML. Processo de Trabalho e Planejamento na Estratégia Saúde da Família. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2015.

Treasy. As melhores ferramentas para fazer um planejamento estratégico. [Internet]. 2018 [Acesso em 2020 dez 17]. Disponível em: https://www.treasy.com.br/blog/melhores-ferramentas-para-fazer-planejamento-estrategico/