Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes 2017, recomenda-se medir glicemia capilar 2x na semana em horários alternados para melhor controle glicêmico. Além disso, também se recomenda exames de 1 a 3 meses após ajuste da medicação. A ADA, até o ano passado, não tinha essa recomendação. Gostaria de saber como proceder, uma vez que não encontrei nenhum protocolo do Ministério da Saúde. Além disso, no diagnóstico de DM, a Sociedade Brasileira fala que apenas um valor alterado (glicemia jejum, HbA1c ou TTGO) já faria o diagnóstico, não necessitando de 2 exames em momentos diferentes com valores alterados para fechar o diagnóstico. Mais uma vez não encontro nada do Ministério. Gostaria de sanar tais dúvidas. Obrigada
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes 2017, recomenda-se medir glicemia capilar 2x na semana em horários alternados para melhor controle glicêmico. Além disso, também se recomenda exames de 1 a 3 meses após ajuste da medicação. A ADA, até o ano passado, não tinha essa recomendação. Gostaria de saber como proceder, uma vez que não encontrei nenhum protocolo do Ministério da Saúde. Além disso, no diagnóstico de DM, a Sociedade Brasileira fala que apenas um valor alterado (glicemia jejum, HbA1c ou TTGO) já faria o diagnóstico, não necessitando de 2 exames em momentos diferentes com valores alterados para fechar o diagnóstico. Mais uma vez não encontro nada do Ministério. Gostaria de sanar tais dúvidas. Obrigada

Categoria Profissional Solicitante: Médico da estratégia de saúde da família

Resposta: Obrigada pelo contato e sua dúvida é muito pertinente. Como você mesma observou, podem existir diferenças entre as mais diversas recomendações para o manejo de doenças tão frequentes como a DM. Devemos sempre nos basear em recomendações da literatura, tanto brasileira quanto internacional, porém, quando temos um protocolo do Ministério da Saúde ou da SMS/SP, geralmente é mais fácil segui-lo porque já está resumido e adaptado à nossa realidade. Em relação ao DM, tem um caderno do MS (CAB36), que pode ser utilizado como referência, já que foi atualizado após o último protocolo publicado pela SMS-SP, que é de 2008. Temos, ainda, um documento de referência da atenção especializada para preenchimento da ficha de automonitoramento. Atualmente, estão em processo de elaboração novos protocolos para a SMS-SP. Assim, enquanto não houver um documento mais atual disponível, a referência a ser utilizada continua sendo o do Ministério e, de acordo com ele, o manejo do paciente com DM2 seria o seguinte:

Diagnóstico (pg. 31): O diagnóstico de diabetes baseia-se na detecção da hiperglicemia. Existem quatro tipos de exames que podem ser utilizados no diagnóstico do DM: glicemia casual, glicemia de jejum, teste de tolerância à glicose com sobrecarga de 75 g em duas horas (TTG) e, em alguns casos, hemoglobina glicada (HbA1c). Os critérios diagnósticos para cada um dos exames são apresentados na Tabela 3. A utilização de cada um desses quatro exames depende do contexto diagnóstico (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2006; AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2013). Quando a pessoa requer diagnóstico imediato e o serviço dispõe de laboratório com determinação glicêmica imediata ou de glicosímetro e tiras reagentes, a glicemia casual é o primeiro exame a ser solicitado, pois fornece um resultado na própria consulta. Nesse caso, o ponto de corte indicativo de diabetes é maior ou igual a 200 mg/dL na presença de sintomas de hiperglicemia (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2013). Não havendo urgência, é preferível solicitar uma glicemia de jejum medida no plasma por laboratório. Pessoas com glicemia de jejum alterada, entre 110 mg/dL e 125 mg/dL, por apresentarem alta probabilidade de ter diabetes, podem requerer segunda avaliação por TTG-75 g (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2006). No TTG-75 g, o paciente recebe uma carga de 75 g de glicose, em jejum e a glicemia é medida antes e 120 minutos após a ingestão. Uma glicemia de duas horas pós-sobrecarga maior ou igual a 200 mg/dL é indicativa de diabetes e entre 140 mg/dL e 200 mg/dL, indica tolerância à glicose diminuída.

Monitorização da glicemia (pg. 49) É recomendada a monitorização da glicemia capilar três ou mais vezes ao dia a todas as pessoas com DM tipo 1 ou tipo 2 em uso de insulina em doses múltiplas (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2013) [Grau de Recomendação B]. Em pessoas com bom controle pré-prandial, porém com HbA1c elevada, a monitorização da glicemia capilar duas horas após as refeições pode ser útil. Em pessoas com DM tipo 2 em uso de antidiabéticos orais a monitorização da glicemia capilar não é recomendada rotineiramente (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2013). A HbA1c deve ser medida no início do tratamento e a cada três meses, podendo ser realizada duas vezes ao ano para aqueles com bom controle metabólico. Hemólise, sangramentos, anemia e hemoglobinas variantes podem interferir na sua aferição, devendo ser considerados quando a glicemia capilar e a HbA1c não forem compatíveis (DIABETES RESEARCH AND CLINICAL PRACTICE, 2011; AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2012). A pesquisa de corpos cetônicos na urina (cetonúria) precisa ser aferida em pessoas com DM tipo 1 se a glicemia for maior do que 300 mg/dl, se houver estresse agudo ou sintomas de hiperglicemia/cetose (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2012). Não há indicação de seu uso no DM tipo 2.

 

Referências:

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica : diabetes mellitus / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2013. 160 p. : il. (Cadernos de Atenção Básica, n. 36). Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/estrategias_cuidado_pessoa_diabetes_mellitus_cab36.pdf

Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. Coordenação da Atenção Básica. Área Técnica de Saúde do Adulto. Protocolo de Tratamento da Hipertensão Arterial e do Diabetes Melito Tipo 2 na Atenção Básica. Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, 2008. Disponível em: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/arquivos/saudeadulto/PROTRAHI.pdf