Em relação ao corte de comprimidos, sabemos que pela farmacologia não é recomendado, devido ao comprometimento da concentração. Gostaria de saber se podemos partir o comprimido quando a enfermagem for medicar o paciente na unidade básica de saúde com prescrição médica de 1/2 comprimido.
Em relação ao corte de comprimidos, sabemos que pela farmacologia não é recomendado, devido ao comprometimento da concentração. Gostaria de saber se podemos partir o comprimido quando a enfermagem for medicar o paciente na unidade básica de saúde com prescrição médica de 1/2 comprimido.

Categoria Profissional Solicitante: Enfermeiro

Resposta:

Vários órgãos (entre eles, Conselho Regional de Medicina, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Conselho Federal de Farmácia) orientam evitar a partição dos comprimidos, mas não a proíbe, com a exceção de alguns casos que citarei adiante. O profissional médico, muitas vezes, se vê obrigado a prescrever doses fragmentadas, pelo fato de não ter doses apropriadas para a prática clínica. Normalmente as doses são recomendadas para pessoas com peso médio de 70 quilos, obrigando-o, dependendo da situação, a fazer algum ajuste diante de um usuário de 50 quilos ou de 120 quilos, como também diante de crianças e idosos, que necessitam de doses diferenciadas devido suas condições clínicas. A partição de comprimidos apresenta vantagens como flexibilização de dose, facilidade de deglutição, redução de gastos com medicamentos. Pode ser interessante, também, por permitir início do tratamento com a mínima dose efetiva, implicando em diminuição da ocorrência de reações adversas. A grande desvantagem é a incerteza da dose administrada devido à irregularidade das partes do comprimido no momento da partição do mesmo. A resolução da ANVISA nº135 de 2003 determina que alguns tipos de comprimidos não podem ser partidos: comprimidos revestidos, cápsulas, drágeas, pílulas, medicação com liberação controlada, comprimidos redondos e lisos, comprimidos pequenos (dificuldade de se localizar o meio com exatidão), comprimidos espessos ou de formato estranho, comprimidos de liberação entérica, comprimidos de liberação incerta após a partição, comprimidos não sulcados. Para partição, é recomendável que o comprimido seja sulcado, apresente baixa toxicidade e não se enquadre em nenhuma das situações acima. Sendo necessária a partição, recomenda se que seja apenas pela metade, considerando se que há perda de fármaco proporcionalmente ao número de vezes em que o comprimido é partido. Decidir pela partição de comprimidos exige cautela, devendo se avaliar as informações do produto (bula) antes de realizar a partição do mesmo. Partidores de comprimidos podem ser usados para melhorar a precisão do corte e promover maior segurança. É preferível o partidor de comprimido a quebrá-los com a mão ou faca. Entretanto, apesar de aumentarem a precisão do corte, exigem certo grau de destreza manual para posicionar o comprimido. O profissional de enfermagem, embora não sendo responsável pela prescrição dos medicamentos, deve conhecer todos os aspectos e fases envolvidas no processo, a fim de evitar erros e enganos, com prejuízos ao paciente. A administração de medicamentos é uma das atividades mais sérias e de maior responsabilidade da enfermagem e para a sua execução é necessária aplicação de vários princípios que fundamentam a ação do profissional de forma a prover a segurança necessária. Conclui-se que a prática de partição de comprimidos, quando necessária, é uma decisão que deverá ser compartilhada entre as equipes médica, de farmácia e de enfermagem. Cabe salientar que os profissionais envolvidos no preparo e na administração do medicamento compartilham da responsabilidade do cuidado. Ou seja, o profissional enfermeiro pode realizar a partição do comprimido, desde que seja sulcado e se enquadre nos critérios da resolução da ANVISA de 2003. Porém, se a prescrição médica fugir dos critérios de partição do comprimido, o enfermeiro pode solicitar a revisão da prescrição médica, embasado em aspectos de ordem técnica, científica e legal, visando à garantia da continuidade da assistência de enfermagem ao paciente.

 

Referências:

Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução – RDC nº 135, de 29 de maio de 2003 (Republicada no D.O. de 12/08/2003). Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/hotsite/genericos/legis/resolucoes/2003/135_03rdc.htm

Acessado em 07 de agosto de 2017.

 

Conselho Regional de Enfermagem da Bahia. Parecer COREN – BA n. 011/2016. Disponível em:

http://ba.corens.portalcofen.gov.br/parecer-coren-ba-n%E2%81%B0-0112016_27345.html

Acessado em 07 de agosto de 2017.

 

Teixeira MT, Sá-Barreto LCL, Silva DLM, Cunha-Filho MSS. Panorama dos aspectos regulatórios que norteiam a partição de comprimidos. Rev Panam Salud Publica. 2016;39(6):372–77. Disponível em: http://www.scielosp.org/pdf/rpsp/v39n6/1020-4989-RPSP-39-06-372.pdf