Como podemos minimizar o stresses/desânimo/descontentamento mediante trabalho diário nas unidades básicas de saúde?
Como podemos minimizar o stresses/desânimo/descontentamento mediante trabalho diário nas unidades básicas de saúde?

Categoria Profissional Solicitante: Gerente de serviços de saúde

Resposta:

 

Os avanços da modernidade, as inovações organizacionais, técnicas e tecnológicas, associadas ao aumento progressivo e significativo do estresse ocupacional têm exigido das pessoas constante adaptação, maior consciência e grande habilidade para enfrentar evoluções e administrar o estresse.

A introdução de novos modelos de gerenciamento do cuidado geralmente causa aumento das cargas nos primeiros momentos, sendo fundamental a participação dos trabalhadores na mudança (no planejamento, implementação e avaliação) para que a inovação seja aceita e contribua para qualidade do trabalho. Essa dinâmica, associada à vivência de cada ser humano, conduz à construção de novos conceitos; surge então a necessidade de aprendizado de novas formas de enfrentar a vida, concepções teórico-filosóficas, perspectivas de ação e desenvolvimento da consciência para as transformações necessárias à melhor qualidade de vida.

Neste sentido, na tentativa de minimizar o estresse, o indivíduo utiliza estratégias de coping ou enfrentamento, definidas como esforços cognitivos e comportamentais para dominar, tolerar ou reduzir demandas. A forma com que o indivíduo utiliza as estratégias de coping ou enfrentamento está determinada, em parte, por seus recursos internos e externos, os quais incluem saúde, crenças, responsabilidade, suporte, habilidades sociais e recursos materiais. Sabe-se que a identificação dos estressores no trabalho corresponde a um agente de mudança, uma vez que desenvolvidas as possíveis estratégias para minimizar seus efeitos, estas podem tornar o cotidiano do profissional mais produtivo, menos desgastante e, possivelmente, valorizá-lo mais como ser humano e como profissional. Há, portanto, a necessidade de aprofundar conhecimentos, para que haja uma ação mais condizente com as transformações que têm ocorrido neste espaço de trabalho.

De modo semelhante, estudo que investigou as estratégias de coping ou enfrentamento em enfermeiros evidenciou que estes profissionais sugeriram como estratégias resolutivas atividades relacionadas ao planejamento do trabalho, redistribuição do agendamento de pacientes, distribuição de serviços e dimensionamento de pessoal, elaboração de programas participativos e de avaliação de qualidade de assistência, por meio de protocolos, redução do número de reuniões e reorganização do trabalho.

Outro estudo demonstrou que a capacitação dos profissionais no manejo de equipamentos ou protocolos, as novas abordagens aos usuários e a autonomia profissional contribuem para aumentar a satisfação no trabalho e para diminuir o estresse, a resistência à inovação e as cargas de trabalho.

Estudos sugerem que estratégias de enfrentamento ativo podem reduzir o stress, sendo importante a realização de práticas de gestão que promovam o controle do trabalho e forneçam aos trabalhadores recursos para o desempenho da sua função. Sugerem-se que sejam implementadas medidas preventivas e interventivas, tais como: realização de atividades de educação permanente, maior aproveitamento de tecnologias, a adoção de pausas esporádicas durante a jornada, a melhoria do clima organizacional, pela boa governança dos conflitos decorrentes dos posicionamentos diferenciados intra e interequipes.

Outro estudo sugere que os/as próprio/as trabalhadores/as devem ser convidados/as para opinarem sobre os recursos/estratégias de enfretamento do estresse a serem adotadas coletiva e individualmente no ambiente de trabalho.

Em um outro estudo encontramos a lista em que a Comissão Mista de Alerta faz uma série de recomendações para as instituições de assistência à saúde, que também cabem a Unidade Básica. As recomendações específicas incluem:

  1. Avaliar os riscos relacionados à fadiga, tais como horas além do plantão, turnos consecutivos de trabalho e níveis na equipe;
  2. Examinar os registros quando os pacientes são transferidos ou encaminhados de um cuidador para outro, momento de risco que é agravado pela fadiga;
  3. Solicitar a contribuição da equipe para planejar uma escala de trabalho que minimize o potencial para a fadiga e proporcionar oportunidades para que a equipe expresse suas preocupações sobre a fadiga;
  4. Criar e implementar um plano de controle da fadiga que inclua estratégias científicas para combatê-la, como conversações, atividades físicas, consumo estratégico de cafeína e cochilos;
  5. Educar sobre bons hábitos de sono e os efeitos da fadiga na segurança dos pacientes cirúrgicos;
  6. Determinar os riscos relacionados à fadiga, tais como turnos consecutivos de trabalho e níveis da equipe;
  7. Examinar os processos quando os pacientes são transferidos ou encaminhados de um cuidador para outro, um momento de risco que é agravado pela fadiga;
  8. Solicitar a contribuição da equipe para projetar uma escala de trabalho que minimize o potencial para a fadiga e proporcionar oportunidades para que a equipe expresse suas preocupações sobre a fadiga;
  9. Criar e implementar um plano de controle da fadiga que inclua estratégias científicas para combatê-la, como entabular conversações, praticar atividades físicas, consumo estratégico de cafeína e cochilos curtos;
  10. Educar os funcionários sobre bons hábitos de sono e os efeitos da fadiga na segurança dos pacientes cirúrgicos.

Estar ciente do problema é o primeiro passo para resolvê-lo!

 

Referências:

Guido LA. Stress e coping entre enfermeiros de Centro Cirúrgico e Recuperação Anestésica. [tese doutorado]. São Paulo: Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo; 2003. Disponível em:  file:///C:/Users/d567942/Downloads/Laura.tese.pdf

 

Schmidt DRC, Dantas RAS, Marziale MHP, Laus AM. Estresse ocupacional entre profissionais de enfermagem do bloco cirúrgico. Texto Contexto Enferm. 2009;18(2):330-7. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/tce/v18n2/17.pdf

 

Guido LA, Linch GFC, Pitthan LO, Umann J. Estresse, coping e estado de saúde entre enfermeiros hospitalares. Rev Esc Enferm USP. 2011;45(6):1434-9. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v45n6/v45n6a22.pdf

 

Martins LMM, Bronzatti JAG, Vieira CSCA, Parra SHB, Boaventura Y. Agentes estressores no trabalho e sugestões para amenizá-los: opiniões de enfermeiros de pós-graduação. Rev Esc Enferm USP. 2000;34(1):52-8. Disponível em:  http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342000000100007

 

Pires DEP et al. Inovação tecnológica e cargas de trabalho dos profissionais de saúde: uma relação ambígua. Rev Gaúcha Enferm. 2012;33(1):157-68. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-14472012000100021. Acesso em 16/10/2017

 

Silva SCPS et al. A síndrome de burnout em profissionais da Rede de Atenção Primária à Saúde de Aracaju, Brasil. Ciênc Saúde Coletiva.2015;20(10):3011-20. Disponível em: http://www.scielosp.org/pdf/csc/v20n10/1413-8123-csc-20-10-3011.pdf

 

Seleghim MR et al. Sintomas de estresse em trabalhadoras de enfermagem de uma unidade de pronto socorro. Rev Gaúcha Enferm. 2012;33(3):165-173. Disponível em:  http://www.scielo.br/pdf/rgenf/v33n3/22.pdf

 

Moore R, Gupta P, Durval Neto GF. Fadiga ocupacional: impacto na saúde do anestesiologista e a segurança dos pacientes cirúrgicos. Nós, como anestesiologistas estamos frequentemente trabalhando em um ambiente estressante. Você discorda disso? Rev Bras Anestesiol. 2013;63(2):167-9. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rba/v63n2/v63n2a01.pdf